Por Richard Simonetti (*)
Rosália deixou o hospital três dias após o parto,
trazendo um tesouro, o filho Tiago, e uma enorme frustração: a impossibilidade de
amamentá-lo.
Inteligente e esclarecida, conhecia a importância do aleitamento em favor do desenvolvimento
infantil. Queria o menino resistente
e saudável, sustentado por nutrientes adequados, em perfeito balanceamento, como só o leite materno pode oferecer.
Mais que isso, concebia o ato de amamentar como sublime exercício de doação, algo de
seu próprio ser a sustentar uma vida iniciante.
Apesar
de seus esforços, não conseguiu fazê-lo. Tiago tivera dificuldade para se
adaptar. Logo em seguida, os seios incharam muito, as mamas ficaram inflamadas. Para não
deixar o recém-nascido à míngua, deram-lhe a mamadeira.
Ainda
assim, Rosália alimentava esperanças. Espírita fervorosa orou, emocionada,
rogando a Jesus e aos bons Espíritos que a ajudassem. Como
sempre ocorre quando o coração participa de nossos apelos, o Céu enviou alguém.
Simpática
jovem a procurou. Após cumprimentá-la, apresentou-se:
—
Meu nome é Tina. Sou enfermeira; soube que
você está com dificuldade para amamentar. Vim ajudá-la. Há anos oriento mães a esse
respeito.
Podemos começar agora mesmo.
—
Bem, não sei... Preciso consultar meu marido.
— Não
se preocupe. Não custará dinheiro algum. O que vou lhe cobrar exigirá apenas um
pouco de boa
vontade de sua parte.
— Como
pagarei?
— Direi
depois. Primeiro o serviço.
—
Tem certeza de que dará certo? No hospital, desiludiram-me...
—
É a lei do menor esforço. Não obstante as campanhas
sobre os benefícios da amamentação, poucos se conscientizam de seus
benefícios.
—
Mas Tiago não pega o seio e as mamas estão
doloridas.
— Cuidaremos disso. Anime-se! Garanto-lhe que
conseguiremos!
— Deus a ouça!...
Vacilante
a princípio, depois francamente empolgada, Rosália recebeu as instruções de
Tina, que a assistiu durante três dias, mostrando-lhe como
superar a inflamação e preparar as mamas. Pacientemente favoreceu a
adaptação entre o recém-nascido e sua mãe no processo de
aleitamento. Em breve o menino sugava com vigor o seio
materno, colhendo o precioso alimento que descia fácil. Rosália exultava.
—
Não imagina como estou feliz. Não sei como lhe agradecer. Na verdade, vou saber agora. Você disse que haveria um pagamento. Estou pronta.
Qual é?
—
Meu salário, Rosália, é o da alegria. Nada
se compara à satisfação de ajudar alguém. Isso me faz
muito feliz!...
Fitando-a
agora com expressão séria, Tina continua:
—
Mas é justo que pague pelo benefício recebido.
Aqui está a conta...
Rosália recebeu um papel onde estava escrito: Passar a outras gestantes a técnica da amamentação.
A enfermeira sorria.
— Está bem assim?
— Claro! Quem não se habilitaria a serviço que
oferece tal recompensa! Conte comigo! Quero acumular muitos salários
de alegria, para um tesouro de felicidade!...
A experiência de Rosália sugere uma Corrente
da Felicidade diferente dessas que pululam por
aí, envolvendo quiméricas vantagens pecuniárias.
Uma única exigência: que
seus participantes se disponham a beneficiar quem estiver em situação difícil, no
lar, no templo religioso, na atividade profissional, na vida social,
utilizando-se de seus conhecimentos.
Uma única cobrança: que
os beneficiários repassem a ajuda recebida a outras pessoas necessitadas, com
as possibilidades que lhes são próprias, cultivando o recurso
fundamental, ao alcance de todos: boa vontade.
Expandindo-se sempre, esta
Corrente da Felicidade apressaria a
instalação do Reino de Deus na Terra, cuja pedra fundamental foi lançada
por Jesus, quando ensinou, no capítulo
sétimo das anotações de Mateus:
Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles.
(*) participa do movimento espírita desde
1957, quando integrou-se no Centro Espírita "Amor e Caridade", que
desenvolve largo trabalho no campo doutrinário de assistência e promoção
social.
É colaborador assíduo de jornais e revistas
espíritas, notadamente "O Reformador", "O Clarim" e
"Folha Espírita".
Algumas de suas obras: Abaixo a Depressão!, Antes que o Galo Cante, Mediunidade - Tudo o
que Você Precisa Saber, Para Rir e Refletir, Quem Tem Medo da Morte?
Reencarnação, Tudo o que Você Precisa Saber, Rindo e Refletindo com Chico
Xavier, Setenta Vezes Sete, Suicídio Tudo o Que Você Precisa Saber!,Trinta
Segundos.
