Por Jorge Luiz (*)
“Graças à sua
visão genial, o solitário da Rua dos Mártires¹ conseguiu despertar os maiores
cientistas do tempo para a realidade dos fenômenos espíritas, hoje
estrategicamente chamados paranormais.”
(Ciência
Espírita, J. Herculano Pires)
Solitário diante da ideia
que defendia, mas amparado por uma plêiade de Espíritos Bem-Aventurados e
ancorado em fé inquebrantável, Allan Kardec verga as mentes mais brilhantes do
seu tempo, afirmando que os mortos estão vivos e inaugura assim a ciência espírita,
que vem revelar ao mundo, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do
mundo espiritual, bem como suas relações com o mundo corpóreo.
Analogamente, Allan Kardec é
um solitário no contexto do movimento espírita brasileiro, por ser pouco
estudado e conhecido por algumas centenas de adeptos.
Faz-se solitário quando se
introduz na casa espírita terapias alternativas (florais de bach, cromoterapia, cristalterapia,
etc.), como se fossem práticas espíritas.
Solitário é quanto à atitude
mística adotada, em detrimento da fé raciocinada que enfrenta a razão face a
face em todas as épocas da Humanidade.
A solidão que se colapsa
quando se permite invadir pelo melindre, ferindo a tolerância que caracterizava
a sua personalidade, cravada como lema em sua bandeira, sob a tríade Trabalho,
Solidariedade e Tolerância.
Faze-o solitário, quando se
opta por um Espiritismo religioso-igrejeiro, com cânticos, incensos, rituais,
sufocando suas dimensões de ciência de observação e doutrina-filosófica e moral.
Solitário o é, quando grupos
cindem-se, criando-se outro à parte, por se pensar de forma diferente.
A mesma solidão é causada
quando adeptos desertam por motivos banais.
Solitário se faz Kardec,
quando seguidores da Doutrina Espírita silenciam diante da necessidade de serem
críticos, pois a doutrina assim exige.
A mesma solidão se observa, quando
se coloca a instituição espírita a serviço de privilégios pessoais, perdendo
seu sentido original, passando a ser um instrumento destruidor de liberdades
participativas.
É solitário, Allan Kardec,
quando seus discípulos buscam se entronizar no poder institucional, ou quando
não, em sistemas de revezamento dentro de um grupo/família, em estilo
gerencial-diretivo ad eternum...
Solidão que se repete na
medida que se constrói processos que dificultam o encaminhamento da unidade de
princípios nas instituições espíritas, tão desejada por Kardec.
Não muito diferente, isso
ocorre, quando se institui na casa espírita assistencialismo acrítico, segmentando-o
entre assistentes e assistidos.
Ainda solitário, Kardec
está, quando se exulta a mediunidade com a idolatria mediúnica, ou quando se a
vilipendia, através do mercado editorial abarrotado de obras mediúnicas que
chocam o bom senso, a razão e as conveniências doutrinárias.
A solidão de Kardec é a
solidão do Espírito da Verdade, quando adeptos da Doutrina adotam posturas
infladas pelo egoísmo, personalistas, que atravancam a sua marcha progressiva,
contrariando os dois principais ensinamentos: “Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; Instruí-vos, eis o segundo
ensinamento.”
¹ Rua dos Mártires nº 8, segundo andar, fundo
do pátio -, residência particular de Allan Kardec em Paris, e onde ocorriam as
reuniões por durante seis meses, antes da fundação da Sociedade Parisiense de
Estudos Espíritas, em 01.04.1858.
(*) blogueiro e expositor espírita.
Referências:
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o Espiritismo. São Paulo. EME. 1996;
PIRES, J. Herculano. Ciência espírita. São Paulo. USE. 1995.
Fonte: http://canteiroideias.blogspot.com.br/2015/10/allan-kardec-o-solitario-da-rua-dos.html
Fonte: http://canteiroideias.blogspot.com.br/2015/10/allan-kardec-o-solitario-da-rua-dos.html
