A Ideologia Espírita e as ideologias menores
Por: Randolfo Santana Medeiros
O que é um partido político?
Segundo
a definição mais imediata, seria uma instituição associativa civil,
onde pessoas que comungam dos mesmos interesses ideológicos ou alguma
outra afinidade estabelecem esforços comuns em prol da conquista do
poder político que lhes possibilite alcançar seus objetivos.
Um
partido político, portanto, em tese, é uma instituição que trabalha sob
um sistema de idéias ou convenções que orienta seus seguidores para um
caminho de pretensa eficiência na busca do poder. Este poder significa a
preponderância de suas posições sobre - ou em detrimento de - terceiros
ou outras agremiações partidárias. O partido político, portanto, é uma
instituição que atua no conflito, sobre o conflito e pelo conflito, por
tudo o que a História nos ensina.
Mais
amplamente estamos considerando que um partido político segue
conveniências - que são imediatistas e em geral superficiais.
Mas, segue ideologias.
O que é uma ideologia?
Um
sistema de idéias logicamente estruturadas entre si capaz de fornecer
objeto, método e motivação para um indivíduo. Então, todo sistema de
idéias a que um individuo é capaz de aderir por convencimento é uma
ideologia. E elas são diversas, são várias.
Vamos a uma questão mais profunda.
Seria o Espiritismo um sistema ideológico?
Bem,
o Espiritismo nos dá o objeto (compreensão da sistemática universal), o
método (progresso intelecto/moral) e a motivação (busca pela
perfeição). Vale lembrar que estamos falando de conceitos MACRO.
Pela
união dos três fatores, nós temos um sistema que busca orientar as
ações dos individuos em TODA a sua existência espiritual, cujo alcance
dos objetivos (perfeição) passa necessariamente pela atuação em TODOS OS
FATORES DA EXISTÊNCIA.
Sem mais delongas, a
atuação do individuo enquanto cidadão, enquanto agente organizador,
transformador e civilizador de seu grupo social - ou nação - é, sim,
matéria de alçada e interesse de análise e orientação da Doutrina
Espírita.
A
grande ideologia consiste em atuar simploriamente pelo BEM utilizando a
aplicação prática do CONHECIMENTO que se adquiriu por conquista
intelectual.
A
atuação SISTEMATIZADA para o BEM é um conceito que atua diretamente
sobre o espírita-político. Assim sendo, não cabe ao espírita alegar a
assimilação de qualquer outra ideologia, pois absolutamente nenhuma
poderia superar a essa e todas as outras levam inevitavelmente ao
conflito, pois o objeto de todas as outras é a aquisição de PODER. O
PODER, enquanto encarnados, é um valor de consistência MATERIAL,
TEMPORAL E SUPERFICIAL, pois não leva em conta para sua conquista os
elevados e mesmos valores que a Doutrina Espírita considera.
Não
será possível a alguém ser um nazista espírita, nem comunista espírita,
nem ecologista espírita, nem tampouco trabalhista espírita, socialista
espírita, neo liberal espírita ou qualquer outra coisa que o valha. Os
valores preconizados pelo Espiritismo estão TODOS ACIMA DESTAS
IDEOLOGIAS e o método espírita, a lógica doutrinária são capazes de
suprir TODAS AS POSTURAS QUE O INVDIVIDUO DEVE OU DEVERIA MANTER SOBRE
SUA SOCIEDADE.
Assim
sendo, sim, é possível um sindicalista espírita: a luta pelo progresso e
liberdade é legitimada pelo Espiritismo. É possível ser igualmente um
espírita que está ao lado das minorias oprimidas, pelo exato mesmo
motivo. É possível que o espírita lute por um sistema ecológico
saudável, pois isso também é abarcado pela codificação. Podemos lutar
pelas crianças, por um sistema mais justo de distribuição das riquezas
dentro das aptidões de cada um. Em suma, podemos fazer TUDO o que as
demais ideologias alegam estarem fazendo. Podemos fazer TUDO o que os
partidos políticos anunciam que positivamente iriam fazer.
A
questão passa a ser não a adesão simples a um sistema ideológico, como o
Espiritismo. A questão passa pelo individuo compreender realmente o que
vem a ser o Espiritismo, raciocinar pela sua intensa e profunda lógica
doutrinária e ser coerente na aplicação prática, cotidiana, cidadã, de
TODOS OS PRECEITOS que essa lógica orienta. E, percebam: ainda nem estou
falando de moral... Estou falando de perceber a realidade sob a
perspectiva mais elevada no campo intelectual e utilizar todos os
mecanismos intelectuais que o Espiritismo fornece. E, que surpresa -
disso derivam óbvios dividendos morais, pois o resultado da busca por
uma sociedade mais justa é absolutamente... moral.
Não entendemos, portanto, a adesão do espírita a ideologias menores. Não
há, rigorosamente, NENHUMA IDEOLOGIA que alcance o Espiritismo na
amplitude de conceitos e nem na honestidade da pretensão de resultados.
Se
o Espiritismo veio para esclarecer sobre os mecanismos da vida a lógica
determina utilizar o Espiritismo para rigorosamente todos os fatos da
vida.
Menos
do que isso seria, de fato, considerar o Espiritismo uma mera religião e
mantê-lo departamentalizado, como costumamos fazer em nossa compreensão
primitiva: nós temos uma postura para o trabalho, uma preocupação para a
familia, um prazer social e um dever espiritual. Se o cérebro comporta
essa divisão da realidade do mesmo individuo, o espírito não.
O individuo é uno. O Espiritismo também. Não faz, portanto, separar o que não pode ser dividido.