Ante os desafios que a humanidade
terrestre enfrenta no momento atual, tais como crises financeiras e
econômicas; revoluções e conflitos bélicos de diferentes procedências;
superpopulação; doenças e desnutrição generalizadas; mudanças climáticas
extremas; terrorismo e crime organizado, faz-se necessário repensar, em
caráter de urgência, a forma como estamos vivendo (e convivendo).
As oportunidades financeiro-econômicas e
educacionais, não são capazes, por si mesmas, de elevar as condições
espirituais do ser humano, enquanto o enfoque estiver centralizado na
aquisição/consumo de bens, produtos e serviços, cada vez mais
sofisticados e elitizados. Se o foco é a vivência do hedonismo*, com
excessivo apego ao que é transitório no plano físico, a vida passa a não
ter sentido. Mas sendo o ser humano herdeiro de possibilidades divinas,
uma mudança para melhor deverá ocorrer em sua caminhada evolutiva, cedo
ou tarde. Neste sentido, destacamos os seguintes pontos:
- Oportunidade de desenvolvimento das condições materiais: assim entendido como o desenvolvimento que é capaz de suprir as necessidades de uma geração, sem comprometer a vida das futuras gerações. Para o Espiritismo “[…] Deus não podia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe concede os meios indispensáveis. É por essa razão que faz a Terra produzir de modo a fornecer o necessário a todos os seus habitantes, visto que só o necessário é útil; o supérfluo nunca o é.” (O Livro dos Espíritos, questão 704)
A questão primordial, portanto, é
aprendermos a contentar com o necessário, abrindo mão do supérfluo e,
acima de tudo, não cometer desperdícios. Ensinam os Orientadores
Espirituais, a propósito:
[…] A Terra, no entanto, é excelente
mãe. Muitas vezes, também, o homem acusa a Natureza daquilo que só
resulta da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria
sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se com o necessário.
Se ela não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no
supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Vede o árabe no
deserto: acha sempre de que viver, porque não cria para si necessidades
artificiais. Mas, quando a metade dos produtos é desperdiçada na
satisfação de fantasias, terá o homem motivo para espantar-se se nada
encontra no dia seguinte, ou queixar-se por achar desprovido de tudo,
quando chegam os tempos de penúria? Em verdade vos digo: a Natureza não é
imprevidente, o homem é que não sabe moderar o seu modo de viver. (O Livro dos Espíritos, questão 704-comentário)
Não pudemos esquecer, independentemente
das teorias econômicas vigentes, que todo produto e serviço produzidos
têm um custo, não somente o que se paga por ele ao adquiri-lo. Há um
custo embutido que viabiliza a sua disponibilidade (trabalho humano,
condições de trabalho, desenvolvimento tecnológica, condições éticas e
morais de produção, etc). Em uma sociedade justa, que pense não só nos
dias atuais, mas na humanidade do futuro, sabe-se que os custos da
oportunidade econômica não devem estacionar ou impedir o desenvolvimento
social, principalmente no que se refere à educação, saúde, trabalho,
bem estar social básico (saneamento, transporte, habitação, lazer etc.).
Nestes termos, a melhoria da sociedade resulta na melhoria das pessoas e
das nações.
Para o Espiritismo, a questão pode ser
bem equacionada quando se coloca em evidência a lei do trabalho e a
utilidade da riqueza como processo de civilizatório, assim resumidos:
- O trabalho é lei da Natureza, e por isso mesmo é uma necessidade. A civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas necessidades e prazeres.” (O Livro dos Espíritos, questão 674)
- A natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades. Quanto menos materiais são as necessidades, menos material é o trabalho. (O Livro dos Espíritos, questão 678)
- Não basta, porém, dizer ao homem que ele deve trabalhar. É necessário que aquele que precisa de trabalho encontre em que se ocupar, e que nem sempre acontece. Quando se generaliza, a falta de trabalho assume as proporções de um flagelo, como a miséria. A ciência econômica procura um equilíbrio entre a produção e o consumo. […]. (O Livro dos Espíritos, questão 685-a – comentário)
- […] Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do globo. Cabe-lhe desbravá-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce sem cessar, é preciso aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. […] Mas, para os realizar, precisa de recursos: a necessidade o levou a criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade imposta por esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o principal meio de execução, sem ela deixará de haver grandes trabalhos, não haverá atividades, nem estímulos, nem pesquisas. É, pois com razão que a riqueza é considerada elemento de progresso.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 16, item 7)
- Oportunidade educativa: trata-se de uma oportunidade que pode ser sintetizada nesta frase: educar compensa.É fundamental, porém, que todos os indivíduos tenham, segundo os critérios de uma sociedade democrática, acesso universal ao estudo, recebendo-o em igualdade de oportunidades, a fim de que a liberdade de escolha, entre outros, possa definir-lhes a sobrevivência por meio de trabalho profissional digno. A Doutrina Espírita acrescenta que a educação moral é tão importante quanto a intelectual, e devem caminhar juntas, a fim de que a sociedade seja constituída não só de homens inteligentes e capazes, mas que eles sejam, também, pessoas honestas e boas. Eis como o Espiritismo se expressa:
[…] Há um elemento a que não tem dado o devido valor e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria: educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, àquela que cria hábitos, uma vez que a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.
Quando se pensa na grande quantidade de indivíduos que todos os dias
são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e
entregues a seus próprios instintos, serão de admirar as consequências
desastrosas que daí resultam? Quando essa arte for conhecida,
compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável,
hábitos que lhe permitirão atravessar com menos dificuldades dias ruins
que não pode evitar. A desordem e a imprevidência são duas chagas que
só uma educação bem entendida pode curar. Eis aí o ponto de partida, o
elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos. (O Livro dos Espíritos, questão 685-a- comentário]
________________________________Hedonismo = consiste em uma doutrina que prioriza a busca pelo prazer, considerado é o único propósito da vida.
Fonte:http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/condicoes-para-o-desenvolvimento-do-ser-humano/